HISTÓRIA DO PORTO DO LOBITO

Em 30 de Abril de 1894, Henrique de Lima e Cunha e Brás Faustino da Mota contrataram com o Governo de sua Majestade El-Rei D. Carlos I a construção de um Caminho de Ferro que ligaria a Baía do Lobito às terras de Caconda - então consideradas de grande comércio, contrato que não teve execução.

Por Decreto de 28 de Novembro de 1902, o então grande Estadista e Presidente do Conselho Teixeira de Sousa, sendo ainda Rei de Portugal D. Carlos I, outorgava em nome do Governo Português com Sir Robert Williams o contrato de concessão da construção e exploração, por 99 anos de um Caminho de Ferro que ligaria o Lobito com o planalto de Benguela e seguindo, no sentido Leste, atingiria a fronteira Luso-Belga. E ao iniciar-se, em 1 de Março de 1903, o trabalho da construção daquele Caminho de Ferro iniciava-se também a brilhante história do Porto do Lobito e, simultaneamente, nasciam as raízes da sua importante cidade.

A excelente baía que abriga o Porto do Lobito mede aproximadamente 5 km de comprimento, 600 metros na entrada e quase 1,5 km na parte mais larga, registando fundos entre 15 e 36 metros sendo 1,90 metros a maior amplitude de maré.

A primeira obra portuária construída no Lobito, que prestou relevantes serviços durante 30 anos, foi uma ponte-cais que, apesar da proximidade da terra, permitia atracação simultânea, de 3 unidades de longo curso e de umas duas de cabotagem ou pequeno calado, obra que honrou o Caminho de Ferro de Benguela, seu construtor.

Utilizada, de princípio, na descarga de material necessário à construção da linha, mais tarde passou a servir o minério e outras cargas que a mesma linha drenava para o litoral, ao mesmo tempo que servia o interesse público visto que, até à construção da muralha-cais pelo Governo, fazia todo o serviço exigido a uma obra que, muito eficientemente, servia um porto com o valor que já tinha o Lobito, procurado por grandes unidades de importantes companhias estrangeiras de navegação especialmente passageiros, que então mantinham como agora sucede com os paquetes Belgas - carreiras regulares, frequentes e de escala certa, além de outra navegação que procurava o porto, dada a facilidade de um direto abastecimento de água, mantimentos, etc., seguro e mais rápido do que em qualquer outro, permitido pela velha ponte--cais que a cuidadosa observação por parte do seu proprietário, Caminhos de Ferro de Benguela, mantinha sempre em boa forma.

Em 1906 e em 1911, além de outros estudos anteriores, o Capitão de Engenharia Sebastião Nunes Matos e o Engenheiro Carlos Roma Machado, respetivamente, procederam à elaboração de estudos ligados com a obra portuária, cuja construção se impunha tendo em atenção a importância do Lobito como porto de tráfego internacional a que seria elevado assim que o Caminho de Ferro de Benguela atingisse a fronteira e fosse iniciado o serviço combinado, em ligação com as linhas férreas dos nossos vizinhos, após a união dos carris daquele aos da linha do Caminho de Ferro da Katanga.

Várias foram as opiniões, de gente responsável, quanto à localização da obra portuária até que, obedecendo ao estudo da planta de 1920, as obras eram adjudicadas no ano seguinte à firma inglesa Pauling & Company, iniciadas no ano imediato e terminadas em 31 de Janeiro de 1928, por intimação, do Governo da Província, vista a necessidade de orientação diferente das obras por motivo da urgência na sua conclusão em face da convenção Luso-Belga.

E, assim, dos 1300 metros de cais, cuja construção fazia parte da adjudicação à firma empreiteira só 225 metros de muro-cais ficaram construídos - e fraco resultado do que se pode considerar a primeira fase da realização dum plano urgia efetivar. Porém, porque as necessidades assim o impunham, essa secção de Cais foi aberta à Exploração em Maio de 1928, depois de ser feita a ligação da sua rede de linhas férreas, privativa ao Caminho de Ferro de Benguela, de terem sido construídos alguns armazéns e da transferência dos da Alfândega para o novo recinto portuário.

Como nota curiosa aponta-se o facto de que a primeira unidade, da marinha mercante nacional, que atracou ao primeiro cais do principal porto de Angola foi o paquete “Lourenço Marques” - nome do já então principal porto da Província Irmã de Moçambique.

Em 1930, pouco antes de terminar o ano, tiveram início os trabalhos de empreitada da construção do restante cais na extensão de 625 metros confiada à firma Alemã Gruen & Bilfinger, que em Agosto de 1943 era concluído, obedecendo ao projeto do Engenheiro António Craveiro Lopes com algumas alterações ficando assim o Lobito a dispor de um total de 850 metros de muro-cais. Estava, como dizer-se, realizada a segunda fase de uma obra de elevada importância, dada a sua projeção internacional, que o Governo da Nação auxiliado pelo da Província, teve de realizar por forma excelente e com a visão desejada, tendo em vista a convenção Luso-Belga, assinada em Luanda aos 21 do mês de Julho do ano de 1927 por Delegados dos dois países, cujo artigo VI diz:

“O Governo Português compromete-se salvo caso de força maior, devidamente constatado, a apetrechar o Porto do Lobito de forma a

Pólo em termos de satisfazer às necessidades do tráfego nacional ou internacional em condições análogas às dos outros portos da mesma natureza sob reserva de que as instalações deverão, de começo, satisfazer somente às necessidades do tráfego que existir na época da conclusão da ligação, como adiante se trata, do Caminho de Ferro de Benguela à rede do Caminho de Ferro do Katanga.

E, agora, é com satisfação que se regista o facto de que a referida cláusula foi tão perfeitamente observada que, hoje, entre os mais importantes portos de África se situa o Lobito, não só pela sua situação geográfica mas também pela excelência da sua organização e apetrechamento, pelo que no quadro de valores económicos de Angola, o Lobito se impõe, quer como elemento de alta valia quer por ser o mais rápido entreposto para os territórios da África Central que, como vizinhos de Angola, serve, através de uma linha férrea nacional - o Caminho de Ferro de Benguela - em ligação direta com a rede ferroviária internacional de África, por forma que não são só o menor tempo de viagem como a via mais curta que justificam a intensidade do tráfego.

Como principal porto da província e dado o seu tráfego internacional, a sua posição atual, determinada pela preferência de que é alvo, dignifica Angola, constituindo a mais expontânea homenagem à obra do Governo Português que tem possibilitado a sua acção e posição adquiridas por forma a que o Lobito, seja sem favor, considerado um dos melhores portos, para mais não dizer, do continente africano, procurado pela navegação de todo o mundo, de grande e pequeno calado e de longo ou pequeno curso.

A evolução firme que vem registando especialmente nos últimos anos, de que são prova os números cada vez mais altos do seu tráfego e dos navios que o procuram - 872 com 3.941.690 toneladas de arqueação em 1957 - determinaram por reconhecida necessidade, a efectivação de urgentes obras de uma nova secção de muro-cais no prolongamento da que, durante bastante tempo, foi designada por “cais da paciência” - designação que chegou a constar de documentos oficiais...

Assim, aos 19 dias de Junho de 1954, com a honrosa assistência de Sua Excelência o Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes, teve lugar a solene inauguração dos trabalhos de construção da nova fase, na extensão de 270 metros, confiada como em 1930, à firma Gruen & Bilfinger A.G. de Manheim, por contrato celebrado no Ministério do Ultramar, em 24 de Março de 1954 entrou ao serviço da Exploração com a atracação do paquete “Império” no qual, para o efeito, viajou sua Excelência o Governador Geral de Angola, Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo.

Passou, assim, o Lobito a dispor de 1120 metros em 2 cais acostáveis, dispostos em L designados por cais norte e cais sul ambos com fundos da ordem dos - 10,50 m relativamente ao zero hidrográfico além de uma estacada, para pequena navegação, com 150 metros de comprimento, constituída por uma estrutura de madeira assente em vigamento de betão armado e estacaria de ferro com fundos da ordem dos - 3,00 metros.

Concluindo, podemos afirmar que, do Lobito, como porto nacional, a sua importância provém do facto de ser testa de uma extensão e excelente linha férrea, também nacional, de penetração de Angola (Caminho de Ferro de Benguela) que atravessa, serve e auxilia em parte no seu franco desenvolvimento - ao mesmo tempo que é um dos melhores portos do continente africano, eficientemente provido de equipamento mecânico do mais moderno e reunindo, além das que a própria cidade faculta aos que têm de a utilizar, condições excelentes como fundeadouro e abrigo para a navegação de qualquer calado; como porto internacional deve a sua importância à muito privilegiada situação geográfica, em relação às linhas de navegação do Atlântico, que o tornam o mais rápido e cómodo entreposto para a África Central, para já não citar a importante redução na distância para a Costa Oriental através de linhas férreas em serviço combinado com o Caminho de Ferro de Benguela.

 

Modernização e Ampliação

O projecto de ampliação do Porto do Lobito, subdividido em 5 fases, teve início em Março de 2008.

A primeira fase de intervenção compreendeu trabalhos de reabilitação do Cais existente com 1122 metros de comprimento, a pavimentação do terrapleno e a substituição dos carris, trabalhos já concluídos.

Na segunda fase, tem-se a construção do terminal de Contentores, os trabalhos de extensão do Cais Sul em mais de 414 metros, que terá uma profundidade de 14, 7 metros, a construção do Porto Seco, trabalhos já muito avançados e a Ponte sobre o Mangal inaugurada em Março de 2010.

A terceira fase das obras compreende a construção do Terminal de Minérios cujos trabalhos encontram-se em execução.

A quarta e quinta etapas consistirão na construção de um Terminal de Contentores para minérios e a criação de um Cais de acostagem de 1.200 metros de comprimento, e a construção de uma ancoragem para navios cruzeiros de luxo e um Clube de Yates, tornando assim o Lobito cada vez mais num destino turístico de referência.

Depois da conclusão das cinco etapas do projecto a ser desenvolvido na baía do Porto do Lobito, o comprimento total da área de acostagem será de 7,8 Kilómetros em que poderão atracar em simultâneo 20 navios de longo curso, bem como o manuseamento de 11 milhões de toneladas de Carga Geral e 700.000 TEUs/Ano.

 


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